Começava próximo da Luiz de Camões (subida da Band) e ia até... até ...Viamão. Esse era o bairro Partenon, local que nasci e vivi por mais de 30 anos. Lá na rua Evaristo da Veiga, 294 ( a casa existe até hoje ) me criei, aprendi as coisas da vida e conheci meu primeiros amigos. Lembro muito dos Stein Rosa, família grande e muito divertida, cujo filho menor era meu grande amigo. O colégio era o Emilio Kemp, aqueles de madeira, construídos pelo Brizola, onde uma galera enorme estudou por cinco anos, praticamente juntos. Depois desses cinco anos, tínhamos que ir pra outro colégio e aí muitos nunca mais se viram. Eu fui pro Padre Rambo, na Bento Gonçalves, atrás do antigo e hoje demolido Abrigo de Menores (espécie de Fase, da época). Mas lembro de alguns comércios e personagens antigos do bairro. O Armazém dos Rosa, local que vendia de tudo e ainda tinha a famosa “pinga” no balcão. Isso era muito comum e tinha, também, o “seu Bento”, que vendia querosene à granel e bem próximo muitos fumavam e bebiam, nunca ocasionando algum acidente. Na esquina da Humberto de Campos tinha a Petisqueira, um mega armazém com todos os tipos de alimentos, vendidos ala carte, sem embalagens, apenas era pesado e enrolado com papel e cordão. Mais adiante, o local em que se jogava sinuca e carta era na esquina da Barão do Amazonas era o Bar do Poleto, famoso pela sua preguiça ao atender.
Tinha ainda o Chiruca, o Carmelo, o Super Nipon, a Tabacaria Dunga (existe ainda), a Hermann, a Drogabir, o alfaiate Zenon, a Taki a Sorte (lotérica), a boate Dois Leões, a Geral de Indústrias, a creche Sitio do Picapau Amarelo, na Veríssimo, a churrascaria Dois Maninhos, do querido e saudoso João, o dentista Dr. Pessoa de Brum, no fim da linha do São Manoel tinha o bar dos “da Fré”, um bando de irmãos que adoravam jogar futebol e alguns eram bons mesmo. O inconfundível seu Odilo com sua risada e piadinhas. Quando se pedia “ficha telefônica” ele dizia: “quantos quilos he he he”. A garagem Tibi foi por anos a referência em estacionamento e lavagem, era na Euclides com São Manoel. Uma lojinha de roupas (sem nome), escondida nos fundos de uma casa, na Monteiro, era muito freqüentada. A falida empresa de ônibus Sentinela, que fazia a linha Jardim Ipê, deixa apenas a garagem, na Guilherme Alves, meio que abandonada. Hoje a Presidente Vargas faz a linha.
O Partenon era enorme, citei a parte até a Barão do Amazonas, que era onde eu andava mais. Mas tem muito mais história pra contar, da Barão pra lá.
Dois momentos da Bento Gonçalves com a Geral à direita e o abrigo de menores ao fundo
E a turma do Emilio Kemp.
terça-feira, 18 de março de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
1980
1980, o ano que me conheci
Corria o ano de 1980, quando finalmente me conheci. Saí do Banco Itaú e fui pro Montepio dos Funcionários Municipais, para ganhar mais e trabalhar menos. Foi a época dos supérfluos. Íamos ao Záffari para comprar produtos nem tão necessários, mas bom de comer e beber, como Leite Parmalat, em caixinha, geléias importadas, manteiga Aviação, Campari, Licores entre tantas coisas mais que nem lembro. No rádio tocava Chiquititas, com ABBA ou Angela Ro Ro “amor meu grande amor”. No Partenon Club se dançava Rita Lee, Chega Mais ou Baby Consuelo com Menino do Rio. Os cabelos das meninas era com franjas repicadas, dando um certo volume. As cores eram fluorescentes, verde limão, rosa, laranja, sempre combinando com a Melissinha Aranha. Na TV via-se Água Viva, Plumas e Paetês e Coração Alado, novelas da Globo. Ainda tinha Barnaby Jones, TV Mulher, Hawaí 5-0. A Volks lançava o primeiro Gol, o quadradinho e a febre dos Schoping estava recém começando, sendo que aqui em Porto Alegre só tinha o João Pessoa, e o Café Paris. Pra dançar tinha o Sandália de Prata e o Chão de Estrelas, para ouvir “Bandolins” com Osvaldo Montenegro, “Lembranças” com a Kátia ou Tavito com “Rua Ramalhete”. Tudo isso e muito mais num ano em que se saía a noite com toda tranqüilidade, podia-se caminhar, beber, namorar e não tinha nada de violência urbana. Quem foi transportado para lá, lendo esse texto, pode ter certeza que essa época jamais terá uma igual.
Na foto 1 - Cascalho, num Baile dos Magrinhos (carosouvintes.com.br)
Na foto 2 - o Gol 1980
Na foto 3 - do meu arquivo pessoal: (E/D) meu saudoso irmão, o Toninho, Jesus e Tito
Corria o ano de 1980, quando finalmente me conheci. Saí do Banco Itaú e fui pro Montepio dos Funcionários Municipais, para ganhar mais e trabalhar menos. Foi a época dos supérfluos. Íamos ao Záffari para comprar produtos nem tão necessários, mas bom de comer e beber, como Leite Parmalat, em caixinha, geléias importadas, manteiga Aviação, Campari, Licores entre tantas coisas mais que nem lembro. No rádio tocava Chiquititas, com ABBA ou Angela Ro Ro “amor meu grande amor”. No Partenon Club se dançava Rita Lee, Chega Mais ou Baby Consuelo com Menino do Rio. Os cabelos das meninas era com franjas repicadas, dando um certo volume. As cores eram fluorescentes, verde limão, rosa, laranja, sempre combinando com a Melissinha Aranha. Na TV via-se Água Viva, Plumas e Paetês e Coração Alado, novelas da Globo. Ainda tinha Barnaby Jones, TV Mulher, Hawaí 5-0. A Volks lançava o primeiro Gol, o quadradinho e a febre dos Schoping estava recém começando, sendo que aqui em Porto Alegre só tinha o João Pessoa, e o Café Paris. Pra dançar tinha o Sandália de Prata e o Chão de Estrelas, para ouvir “Bandolins” com Osvaldo Montenegro, “Lembranças” com a Kátia ou Tavito com “Rua Ramalhete”. Tudo isso e muito mais num ano em que se saía a noite com toda tranqüilidade, podia-se caminhar, beber, namorar e não tinha nada de violência urbana. Quem foi transportado para lá, lendo esse texto, pode ter certeza que essa época jamais terá uma igual.
Na foto 1 - Cascalho, num Baile dos Magrinhos (carosouvintes.com.br)
Na foto 2 - o Gol 1980
Na foto 3 - do meu arquivo pessoal: (E/D) meu saudoso irmão, o Toninho, Jesus e Tito
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
As rádios de POA
Você sabia que antes do FM, as rádios AM é que tomavam conta da galera. Para o público jovem tinham as Continental 1120, disparadamente a melhor programação jovem até hoje, jamais alguma chegou perto. Também a Pampa 1200 (era uma ao lado da outra) que concorria fortemente com a 1120. Pra se ter uma ideia, naquela época era muito comum ter os bailes de colégios, escolha de rainha, angariar fundos. Tudo terminava num baile. Essas rádios também realizavam os seus; O baile dos Magrinhos, com o Cascalho (Continental) e o Baile da Pesada, com o Fernando Sbroglio (Pampa).
A gincana Ipiranga também teve seu tempo. Com a Ipirela (que era um avatar da Rede de Postos), todo mundo se mobilizava em busca dos premios. A cidade toda se envolvia. As tarefas eram dadas nas rádios durante todo um final de semana. Um dia bateram lá em casa, na madrugada, atrás de um LP que tinha, na capa, um cachorro correndo de uma linguiça, que segundo se dizia era a charada de uma tarefa.
No dial tinha rádio Metrópole (Nilson J. Cunha era um dos locutores), Princesa (depois o Jornal do Comércio comprou e meu tio Roque foi diretor), Eldorado (com Tia Eva no comando), Farroupilha (era do Grupo Diários), até que um belo dia surge a Cultura Pop FM e começamos a migrar. No FM já tinham algumas rádios, mas era pouco sintonizado. A Itaí quadristéreo, Gaúcha, Difusora e outras poucas. Essa Cultura Pop, que era de Gravataí, deu origem a então Cidade FM (do Jornal do Brasil). Muitas aí surgiram e se foram como a Transamérica, Líder, Metropolitana, Universal e mais recentemente a Pop Rock, da Ulbra, que virou MIX.
Mas antes, bem antes, o programa era "Itaí a dina da noite", onde o apresentador Sadi Nunes lia recados e tocava músicas pedida pelos ouvintes. Marcou época, o Pediu, Rodou, Ganhou (na Continental) onde a gente escrevia uma "carta" e pedia uma música. Se fosse o pedido atendido, a gente ainda ganhava uma fita cassete personalizada com a música.
Nos anos 80 o Cascalho investiu na radio Sucesso e levou muita gente boa pra lá. Dilamar Machado, Pedro Ernesto, Wianei Carlet, João Garcia entre tantos outros. pena que o projeto durou pouco. Por falar em rádio portoalegrense e saber que está um calor histórico hoje (dia 4/2) não posso esquecer do "Farroupilha Chamando o Atlântico Sul", que era o único meio de contato entre que ia pro litoral e quem ficava na cidade. E no litoral, se pegava muito as rádios do centro do país, com exceção da Farroupilha que tinha um canal internacional as demais sofriam interferência, então Tupi, Nacional eram muito ouvidas à noite.
A gincana Ipiranga também teve seu tempo. Com a Ipirela (que era um avatar da Rede de Postos), todo mundo se mobilizava em busca dos premios. A cidade toda se envolvia. As tarefas eram dadas nas rádios durante todo um final de semana. Um dia bateram lá em casa, na madrugada, atrás de um LP que tinha, na capa, um cachorro correndo de uma linguiça, que segundo se dizia era a charada de uma tarefa.
No dial tinha rádio Metrópole (Nilson J. Cunha era um dos locutores), Princesa (depois o Jornal do Comércio comprou e meu tio Roque foi diretor), Eldorado (com Tia Eva no comando), Farroupilha (era do Grupo Diários), até que um belo dia surge a Cultura Pop FM e começamos a migrar. No FM já tinham algumas rádios, mas era pouco sintonizado. A Itaí quadristéreo, Gaúcha, Difusora e outras poucas. Essa Cultura Pop, que era de Gravataí, deu origem a então Cidade FM (do Jornal do Brasil). Muitas aí surgiram e se foram como a Transamérica, Líder, Metropolitana, Universal e mais recentemente a Pop Rock, da Ulbra, que virou MIX.
Mas antes, bem antes, o programa era "Itaí a dina da noite", onde o apresentador Sadi Nunes lia recados e tocava músicas pedida pelos ouvintes. Marcou época, o Pediu, Rodou, Ganhou (na Continental) onde a gente escrevia uma "carta" e pedia uma música. Se fosse o pedido atendido, a gente ainda ganhava uma fita cassete personalizada com a música.
Nos anos 80 o Cascalho investiu na radio Sucesso e levou muita gente boa pra lá. Dilamar Machado, Pedro Ernesto, Wianei Carlet, João Garcia entre tantos outros. pena que o projeto durou pouco. Por falar em rádio portoalegrense e saber que está um calor histórico hoje (dia 4/2) não posso esquecer do "Farroupilha Chamando o Atlântico Sul", que era o único meio de contato entre que ia pro litoral e quem ficava na cidade. E no litoral, se pegava muito as rádios do centro do país, com exceção da Farroupilha que tinha um canal internacional as demais sofriam interferência, então Tupi, Nacional eram muito ouvidas à noite.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
O Radio, ainda.
Aos sábados íamos na Rua Andrade Neves, no bar Vasco da Gama (o prédio não existe mais, era quase na esquina com a ladeira) e ali era o encontro de vários atores e atrizes do rádio teatro que era moda na época. Também tinham os cantores, cantoras e duplas. Inha Tuca, Inho Zeca e Dorinha entre outros.
Aos domingos meu pai ia pra rádio Difusora apresentar o programa das 7 as 10, ao vivo. Na Farroupilha, as 8 horas tinha o programa do Teixeirinha. Para combatê-lo, na boa, ele tocava na mesma hora só musicas do Teixeirinha. Era uma guerra pela audiência. A Difusora era dos padres capuchinhos, tinha o Irmão Atilio, que era um tipo de gerente. Aos poucos, a Bandeirantes foi tomando conta da programação e me lembro quando tiraram o programa dele pra por um jornal que até hoje existe, pela manhã, bem cedo. Lembro de alguns nome de apresentadores: Silva Filho (que era nosso vizinho) apresentava o Café da Tarde, na Itaí. Tinha o Aurelio Camara, Saião Lobato, que criou o "não diga não", Sadi Nunes, Nelson Silva, Marne Barcelos (bem novo), Ismael Fabião e muito mais.
As festas de fim de ano da Soberana dos Móveis, no clube Lindóia são inesquecíveis. Era tudo do bom e melhor e por conta do Tio Marquinhos. Pelo que sei, nunca mais teve um "tio marquinhos" por aqui.
O cheiro forte da torrefação e moagem do Café Davi, na Avenida Bento Gonçalves, marcaram uma época, ao lado do colégio Padre Rambo. Inclusive eu fiz um comercial para este café. Os Vontobel recém estavam começando e as marcas de refrigerantes ainda eram locais: Minuano Água, Limao e Guaraná, Grapete e Bingo Cola. Mais tarde a Coca Cola trocou por suas marcas mundiais. Lá perto da Minuano, que era na Vicente Montégia, tinha a Charrua, que também fabricava refrigerantes. Hoje ainda resta alguma marca da Charrua, que foi incorporada à Vonpar. Ah e os doces Mumu: doce de leite, goiabada e chimia. Todos esses produtos tínhamos em grande quantidade em casa, haja vista que eram patrocinadores e toda a comunidade ganhava, inclusive nas festas do Colégio Emilio Kemp.
Andei em todas as rádio da cidade, conheci estúdios, vi programas ao vivo e gravações. Muitas rádios eram em outros lugares e tinham outros donos, mas todas passaram por um processo de modernização tecnológica, mas perderam o glamour de ser feito por pessoas apaixonadas que davam a vida por elas.
Aos domingos meu pai ia pra rádio Difusora apresentar o programa das 7 as 10, ao vivo. Na Farroupilha, as 8 horas tinha o programa do Teixeirinha. Para combatê-lo, na boa, ele tocava na mesma hora só musicas do Teixeirinha. Era uma guerra pela audiência. A Difusora era dos padres capuchinhos, tinha o Irmão Atilio, que era um tipo de gerente. Aos poucos, a Bandeirantes foi tomando conta da programação e me lembro quando tiraram o programa dele pra por um jornal que até hoje existe, pela manhã, bem cedo. Lembro de alguns nome de apresentadores: Silva Filho (que era nosso vizinho) apresentava o Café da Tarde, na Itaí. Tinha o Aurelio Camara, Saião Lobato, que criou o "não diga não", Sadi Nunes, Nelson Silva, Marne Barcelos (bem novo), Ismael Fabião e muito mais.
As festas de fim de ano da Soberana dos Móveis, no clube Lindóia são inesquecíveis. Era tudo do bom e melhor e por conta do Tio Marquinhos. Pelo que sei, nunca mais teve um "tio marquinhos" por aqui.
O cheiro forte da torrefação e moagem do Café Davi, na Avenida Bento Gonçalves, marcaram uma época, ao lado do colégio Padre Rambo. Inclusive eu fiz um comercial para este café. Os Vontobel recém estavam começando e as marcas de refrigerantes ainda eram locais: Minuano Água, Limao e Guaraná, Grapete e Bingo Cola. Mais tarde a Coca Cola trocou por suas marcas mundiais. Lá perto da Minuano, que era na Vicente Montégia, tinha a Charrua, que também fabricava refrigerantes. Hoje ainda resta alguma marca da Charrua, que foi incorporada à Vonpar. Ah e os doces Mumu: doce de leite, goiabada e chimia. Todos esses produtos tínhamos em grande quantidade em casa, haja vista que eram patrocinadores e toda a comunidade ganhava, inclusive nas festas do Colégio Emilio Kemp.
Andei em todas as rádio da cidade, conheci estúdios, vi programas ao vivo e gravações. Muitas rádios eram em outros lugares e tinham outros donos, mas todas passaram por um processo de modernização tecnológica, mas perderam o glamour de ser feito por pessoas apaixonadas que davam a vida por elas.
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